Inversão dos valores – É hora do desabafo

painel petrópolis 192x105cm

 

Considero-me uma pessoa bastante otimista, procuro sempre ver o lado positivo das situações, mesmo as difíceis, que ocorrem no dia-a-dia. Como diz o ditado: “fazer do limão a limonada”. Não gosto de falar em coisas ruins, nem mesmo escrever a respeito de assuntos negativos. Acredito que nosso cérebro é condicionado de acordo com as mensagens que recebemos e armazenamos no “HD” de nossa vida. Por isso, evito ler, escutar e  assistir às notícias trágicas veiculadas pela mídia, sob pena de sofrer condicionamento e “sobreviver” enclausurado em minha residência, com medo de sair para rua.

No entanto, não posso deixar de dividir com vocês, alguns assuntos que andam me preocupando bastante e que dizem respeito à inversão dos valores no mundo de hoje.

Dias atrás, recebi um telefonema de um repórter, querendo fazer uma entrevista a respeito dos possíveis roubos ocorridos nos imóveis em oferta para locação. Argumentei com ele que não falaria a respeito do assunto, em virtude de não estarem acontecendo roubos nos imóveis e que não seria inteligente alertar os ladrões. Sugeri-lhe que abordássemos o assunto segurança nos condomínios, de uma forma ampla e positiva, fornecendo informações de valor ao leitor. Para minha surpresa, a resposta do jornalista foi de que matérias positivas não vendem jornal, que apenas as sensacionalistas e trágicas interessavam-lhes.

Seguindo o raciocínio, a segurança pública em nosso país está precária. Temos policiais mal remunerados, desmotivados, com equipamentos sucateados,  competindo com delinquentes fortemente armados, protegidos pela Legislação e pelos direitos humanos. O bandido somente poderá ser preso se for pego em flagrante delito, mesmo assim, somente será encaminhado à área judiciária, se a vítima se dispuser a denunciá-lo. Os presídios estão lotados. Não podemos andar armados, enfim temos, sua excelência, o delinquente.

Outro assunto que vem me chamando atenção é a indústria do dano moral. A cada dia que passa, nossos tribunais acumulam inúmeros processos, na maioria das vezes, infundados, de pessoas querendo se locupletar à custa das empresas. Nos dias de hoje, todo cuidado é pouco para o empresário. Como exemplo, podemos citar o caso de algum cliente constar na lista de devedores. Os cuidados começam já no momento de redigir a carta de cobrança. O texto deve ser semelhante a uma carta de amor. Se o cliente pagou no vencimento, dificilmente entrará em contato com a empresa a fim de solucionar o impasse. Ele parte do princípio de que os bancos não erram. Caso a empresa venha a ligar e solicitar a gentileza de enviar por e-mail, a fim de comprovar o pagamento, já é razão suficiente para aquele que está do outro lado da linha, se ofender e ameaçar com uma ação de dano moral, caso a empresa não acredite na sua palavra  e não dê baixa  “on line” de seu pagamento.

Por falar em dívida, temos, sua majestade, o devedor. Nosso país infelizmente incentiva o devedor. Reduz multas, não prende, tem uma justiça morosa,  resguarda a moradia do devedor com a  Lei do bem de família e, se isto não bastasse, proíbe ainda que se divulgue o nome dele.

Vou poupá-los de falar a respeito de nossos políticos, uma vez que a mídia tem se encarregado disso com muita competência, conquistando muita audiência e vendido muitos jornais,  à custa das safadezas e do mau-caratismo de nossos governantes.

Confesso que, não raras vezes,  esforço-me para manter meu otimismo e não dar chances para que o mal se sobreponha ao bem e não me deixar contaminar com a hipocrisia dos malfeitores.

Penso que para problemas temos que encontrar soluções. E, diante das circunstâncias narradas,  apego-me a “Deus”, a minha família, a meus amigos, ao meu trabalho, procurando sempre ter atitudes positivas e valorizar a vida. Acredito num futuro melhor, pois se pararmos para refletir, nossa vida hoje é muito melhor do que quinze anos atrás. Dispomos de uma qualidade de vida bem superior. A grande maioria da população tem celulares, acesso a computadores, internet, veículos, transportes, comunicação, aparelhos sofisticados para diagnosticar doenças, entre tantas outras facilidades.

A inversão de valores deve ocorrer a partir de nossos conceitos e pré-conceitos. Se não enxergarmos as coisas boas, quem irá fazê-lo?

Com fé, otimismo, esperança e determinação temos o direito e o dever de vivermos melhor. Vamos deixar de terceirizar nossos problemas. Estamos sempre em busca de um culpado para eles. Culpamos os governantes, o cônjuge, os filhos, os colegas, enquanto que, na maioria das vezes, o errado somos nós. Talvez não na forma de agir, mas, sim, de pensar. Assim fazendo, estaremos contribuindo para um mundo melhor e ao invés de sofrermos enquanto o “horário nobre” de nossas vidas está passando, estaremos energizados e convictos de que ela é digna de ser vivida.

 

Julio Cesar Soares da Silva*

Diretor-presidente da Guarida Imóveis

*Julio Cesar Soares da Silva, Diretor-Presidente da Guarida Imóveis, é advogado, pós-graduado em Direito Imobiliário e em Recursos Humanos. Atua no mercado imobiliário gaúcho junto à Guarida há 39 anos na administração de condomínios, vendas e locações. Julio Cesar também é Conselheiro Fiscal do Secovi/RS (Sindicato da Habitação). Já foi Diretor Tesoureiro, Coordenador da Comissão de Ética e atualmente exerce o cargo de Conselheiro Efetivo do CRECI (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis). Já exerceu o cargo de Vice-Presidente da Agademi (Associação Gaúcha das Empresas do Mercado Imobiliário).

 

 

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